domingo, 6 de maio de 2012

Berço esplêndido

Raros os políticos brasileiros que vieram de berço esplêndido. E todos sabem quão cara é uma campanha eleitoral. Essa vulnerabilidade é a porta de entrada dos corruptores, em geral travestidos de lobistas. Aproximam-se do político e se tornam facilitadores de suas vontades e necessidades: empregos aos parentes; viagens em jatinhos; férias em locais paradisíacos; presentes caros etc. Na 1a fase, o ...corruptor nada pede, apenas oferece. Demonstra um desprendimento e dedicação ao político de fazer inveja a madre Teresa de Calcutá. Essa aproximação faz o político passar da classe econômica à executiva, introduzido aos prazeres dos ricos, e cria vínculos de amizade. A segunda fase se inicia quando o político se sente na obrigação de ser grato ao amigo. Em que posso ajudá-lo? Ora, o amigo tem seus amigos: empresas que o abastecem de recursos para abrir caminhos na intrincada burocracia da floresta governamental. Começam facilitações obtidas pelo político: licitações fajutas; informações privilegiadas; nomeações convenientes; tráfico de influência... A terceira fase da transformação do exercício de um mandato popular é o caixa de campanha. O político não pode perder eleição. E para ganhá-la precisa de visibilidade (poucos a alcançam) e dinheiro (imprescindível). Criam-se o caixa 1, legal, declarado à Justiça Eleitoral, e o caixa 2, baixo dos panos, abastecido pelo amigo lobista e outras vias escusas. É possível acabar com a corrupção? No coração humano, anabolizado por ambições desmedidas, jamais. Há, contudo, antídotos objetivos: financiamento público das campanhas eleitorais; controle da administração pública pela sociedade civil; ficha limpa também quanto ao patrimônio familiar acumulado; apurações rápidas e punições rigorosas aos corruptos. Isso depende de reforma política, que o governo e o Congresso tanto protelam.

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